Valsa Brasileira

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer

Chico Buarque

A música, lindíssima, logo embaixo :)
http://listen.grooveshark.com/#/search/songs/?query=valsa%20brasileira

Coeur

Todos os dias meu peito me fisga a atenção.Uma pontada aguda, dessas que fazem contorcer os sentidos, que forçam os olhos a ficarem apertados, que comprimem a mão contra o centro, entre os seios.Naquele instante, na dorzinha miúda e fugaz, recordo: ainda vive.E é tão bonito...ora forte, ora fraco,ora forte, ora frágil.Pulsa incansável,de contar pendular o tempo que se ama, os passos que se anda, os danos, os anos...Sempre ali, dócil, saudoso, servil. O coração é o benfazejo guardado dentro, é o intermitente despertar, é a única parte de nós que ecoa, canta, que é melodia de se ouvir no silêncio.

Não Vale a Pena

Maria Rita
Composição: J. E P. Garfunkel

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar

Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer

Que é uma pena
Mas você não vale a pena.


Música: http://listen.grooveshark.com/#/s/N+o+vale+a+pena/1VuIjs

Perfil

Ultimamente o que eu tenho sido é meu próprio objeto de estudo.Todas as teorias são duvidosas, as experimentações são falhas e a conclusão está longe de ser acabada.Esse entender-me pouco não é acomodação, ao contrário, é fator que me motiva a descobrir o que de mim não sei.E haja 'não saber' ... Um dia sou negra, outro branca, outro asiática, outro muçulmana.Um dia sou de Buda, outro de Alá, outro de Jesus Nosso Senhor.E há dias que não sou de ninguém, nos dias de má ( ou nenhuma) fé.Nada me engrandece mais do que o amor que dói.Aquele amar odiosamente, que conforta e amedronta, que dá e tira a vida quando quer, que não respeita os dias de branca paz. Esse amor limítrofe e então intenso, de libidinosa culpa e de total arrebatamento. A cada segundo faz-se em mim coisas inimagináveis, personagens sem pé nem cabeça, aberrações sentimentais e por vezes a fatalidade da completa sanidade. Eu nego a sanidade por completo, adoro a loucura.Sem essa loucura é impossível manter-me viva.