Acho que o tempo deveria parar para dar alento a qualquer um que está, por qualquer motivo , cansado de viver dias atropelados.Mais do que apenas 'acho', suplico. Há dias em que se cansa dos dias, de ser neles, de estar neles, da possibilidade de fazer com eles o que se bem entende, mesmo entendendo que o destino é quem arranja essa trama cotidiana. E que nesse vácuo entre o tempo e o não-tempo, por um descuido passe a dor, passe o cansaço, passe um mal de amor, passe o que for de não ser e fique só o ser, em pausa, descançado de tudo e de si mesmo.E depois, descançado pelo tempo que convém, retornar ao mistério vivo de ser tempo, porque o tempo só é ,e existe, se tu és e existes nele.
- Não, espera!... Você não é só um emaranhado de músculos, neurônios, fluidos, hormônios...Você sente! E sente não só por essas questões fisiológicas humanas, sente porque sabe que sentimentos mesmo, dos verdadeiros e bons, são imateriais, são uma coisa sublimada a nos cercar o tempo todo como o ar, esse que a gente não vê, mas que é vital, que é necessário pra nossa existência. Sentimentos são necessaríssimos, meu amor...Então não me olhe como se fosse algo a ser devorado, a ser entendido,a ser anatomicamente estudado, não sou comestível, muito menos compreendível...Me olhe com olhos de alma, que exergam as coisas mais lindas, que enxergam o que não se pode nunca ver.E depois disso, me tome em seus braços, me beije com calma e profundamente, até eu te sentir inteiro dentro de mim.Porque assim, assim é que tem de ser isso de ser nós dois.
' Preciso desesperadamente esquecer-te, como preciso neste instante de seu abraço e regresso.'
Caio F. Abreu
Voltou, continua fazendo falta assim mesmo. Inútil tentar mudar alguma coisa, tentar mudar esse meio-você-em-mim e eu-meio-em-você . Falta aquela intimidade arrebatadora do encontro de dois pares de olhos, o frio na barriga, o toque das mãos , dos corpos, das bocas, das almas, dos signos, dos sonhos... Falta o encontro, depois dos desencontros crus e mal digeridos. Falta sentir falta, e doer só de vez em quando não basta. Tem que doer de fazer cair doente, de ver a morte de perto, de perguntar 'porquês' a Deus, de fazer promessa ou jejum... Tudo isso pra não sofrer pela ausência, pra não cair no poço fundo do falso-amor, pra não perder a sanidade, o senso de direção da própria vida. Te querer tanto ainda é nada, e me querer como me queres é desdenhar de um amor sem pudor. Me tem, te aceito, me esnoba, te idolatro, me afaga, te afogo, me surge, te enlouqueço, me toma, te conheço. Me ama, te amo.
Hoje a noite é fria, amor...
Me abraça até que eu te esqueça.
Caio F. Abreu
Voltou, continua fazendo falta assim mesmo. Inútil tentar mudar alguma coisa, tentar mudar esse meio-você-em-mim e eu-meio-em-você . Falta aquela intimidade arrebatadora do encontro de dois pares de olhos, o frio na barriga, o toque das mãos , dos corpos, das bocas, das almas, dos signos, dos sonhos... Falta o encontro, depois dos desencontros crus e mal digeridos. Falta sentir falta, e doer só de vez em quando não basta. Tem que doer de fazer cair doente, de ver a morte de perto, de perguntar 'porquês' a Deus, de fazer promessa ou jejum... Tudo isso pra não sofrer pela ausência, pra não cair no poço fundo do falso-amor, pra não perder a sanidade, o senso de direção da própria vida. Te querer tanto ainda é nada, e me querer como me queres é desdenhar de um amor sem pudor. Me tem, te aceito, me esnoba, te idolatro, me afaga, te afogo, me surge, te enlouqueço, me toma, te conheço. Me ama, te amo.
Hoje a noite é fria, amor...
Me abraça até que eu te esqueça.

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana
- Eu tinha uma vida inteira ainda para ficar amarrada em suas costas, não vê? Amor que não compensa não vale sacrifício sequer, imagina se vale o sacrifício de uma vida? Assim mesmo, lá estava eu, deixando o sangue esvair feito um rio, correnteza rubra e quente, rio de não se banhar sem corpo e sem alma.A gente faz umas coisas que, sabe?, não valem prosa nem poesia. Não, não é arrependimento, é pena, pena da vida. A vida seria mais bonita de contar sem ter na boca o dissabor de um amor amargo.
'Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu...'
Trecho de 'Eu te Amo'; Chico Buarque.
'Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu...'
Trecho de 'Eu te Amo'; Chico Buarque.

'Não há grandes dores, nem grandes arrependimentos, nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós. '
Albert Camus - A Morte Feliz
- A busca pela felicidade plena é um dos nossos maiores erros, pois ela não existe.E todos, quase todos, buscam incansavelmente o que é inalcansável. A felicidade é algo tão individual como nossos próprios corpos.A minha felicidade ora são muitas coisas, e ora coisa nenhuma além de mim mesmo .A felicidade de um bêbado é beber até não poder mais e não cair.A felicidade de uma ave é voar, é estar próxima do céu. A felicidade de um drogado é um monte de pó, veja só, um monte de pó!...
- Pois não é?!
- Acredita, companheiro, que um amigo de um amigo, entre uma fungada e um delírio, acabou por cheirar a própria mãe cremada?
-Oh!
- Qual!... Decerto, achei um triste infortúnio de início. Como pode, companheiro, o filho fungar a própria mãe finada? Mas, passado o susto da imaginada cena, coloquei-me a dar gargalhadas da situação.O homem nasce do pó e morre pó, não é o que diz O Livros dos livros? Grande ironia...
- Grandíssima, companheiro.E o que a vida senão uma enorme ironia entre muros?
- Nada! Bebâmos!
- Bebâmos!
- Pois não é?!
- Acredita, companheiro, que um amigo de um amigo, entre uma fungada e um delírio, acabou por cheirar a própria mãe cremada?
-Oh!
- Qual!... Decerto, achei um triste infortúnio de início. Como pode, companheiro, o filho fungar a própria mãe finada? Mas, passado o susto da imaginada cena, coloquei-me a dar gargalhadas da situação.O homem nasce do pó e morre pó, não é o que diz O Livros dos livros? Grande ironia...
- Grandíssima, companheiro.E o que a vida senão uma enorme ironia entre muros?
- Nada! Bebâmos!
- Bebâmos!
Tem lugares que me lembram
Minha vida, por onde andei
As histórias, os caminhos
O destino que eu mudei...
Cenas do meu filme
Em branco e preto
Que o vento levou
E o tempo traz
Entre todos os amores
E amigos
De você me lembro mais...
Tem pessoas que a gente
Não esquece, nem se esquecer
O primeiro namorado
Uma estrela da TV
Personagens do meu livro
De memórias
Que um dia rasguei
Do meu cartaz
Entre todas as novelas
E romances
De você me lembro mais...
Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais...
Rita Lee
Composição: John Lennon E Paul Mc Cartney
Minha vida, por onde andei
As histórias, os caminhos
O destino que eu mudei...
Cenas do meu filme
Em branco e preto
Que o vento levou
E o tempo traz
Entre todos os amores
E amigos
De você me lembro mais...
Tem pessoas que a gente
Não esquece, nem se esquecer
O primeiro namorado
Uma estrela da TV
Personagens do meu livro
De memórias
Que um dia rasguei
Do meu cartaz
Entre todas as novelas
E romances
De você me lembro mais...
Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais...
Rita Lee
Composição: John Lennon E Paul Mc Cartney

Mania da gente pensar, às vezes, que o amor não acontece.E que se acontece, acaba.E que se acaba, nunca aconteceu. O amor acontece e acaba, finito como tudo que há no mundo.Ou não, estendendo-se no infinito d'alma.Sim, porque alma é coisa a parte desse mundo. Não existe fórmula, fatos e função Amar. Não existe regra, rumo. Verdade? Enquanto sim. Dor? Enquanto não. Alegrias? Quando nasce. Não é quanto, não é como, não é até. Amar é esse tudo-nada-tudo. É concreto só dentro, só no desconhecido, no impalpável existir. É de compreender sem entender e de sentir, sem saber sentido. Amor é uma interrogação,marcada a ferro e fogo dentro da gente.
-Juliana Poêys
'Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva; Marcada a frio, a ferro e fogo; Em carne viva' (Chico Buarque)
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Chico Buarque
A música, lindíssima, logo embaixo :)
http://listen.grooveshark.com/#/search/songs/?query=valsa%20brasileira
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Chico Buarque
A música, lindíssima, logo embaixo :)
http://listen.grooveshark.com/#/search/songs/?query=valsa%20brasileira
Todos os dias meu peito me fisga a atenção.Uma pontada aguda, dessas que fazem contorcer os sentidos, que forçam os olhos a ficarem apertados, que comprimem a mão contra o centro, entre os seios.Naquele instante, na dorzinha miúda e fugaz, recordo: ainda vive.E é tão bonito...ora forte, ora fraco,ora forte, ora frágil.Pulsa incansável,de contar pendular o tempo que se ama, os passos que se anda, os danos, os anos...Sempre ali, dócil, saudoso, servil. O coração é o benfazejo guardado dentro, é o intermitente despertar, é a única parte de nós que ecoa, canta, que é melodia de se ouvir no silêncio.
Maria Rita
Composição: J. E P. Garfunkel
Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena.
Música: http://listen.grooveshark.com/#/s/N+o+vale+a+pena/1VuIjs
Composição: J. E P. Garfunkel
Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena.
Música: http://listen.grooveshark.com/#/s/N+o+vale+a+pena/1VuIjs
Ultimamente o que eu tenho sido é meu próprio objeto de estudo.Todas as teorias são duvidosas, as experimentações são falhas e a conclusão está longe de ser acabada.Esse entender-me pouco não é acomodação, ao contrário, é fator que me motiva a descobrir o que de mim não sei.E haja 'não saber' ... Um dia sou negra, outro branca, outro asiática, outro muçulmana.Um dia sou de Buda, outro de Alá, outro de Jesus Nosso Senhor.E há dias que não sou de ninguém, nos dias de má ( ou nenhuma) fé.Nada me engrandece mais do que o amor que dói.Aquele amar odiosamente, que conforta e amedronta, que dá e tira a vida quando quer, que não respeita os dias de branca paz. Esse amor limítrofe e então intenso, de libidinosa culpa e de total arrebatamento. A cada segundo faz-se em mim coisas inimagináveis, personagens sem pé nem cabeça, aberrações sentimentais e por vezes a fatalidade da completa sanidade. Eu nego a sanidade por completo, adoro a loucura.Sem essa loucura é impossível manter-me viva.
Eu olhei para aquela fotografia e pela primeira vez não tive vontade de chorar.Fiquei com os olhos juntos, tão juntos dela, que a imagem quase ficou impressa na minha retina, fazendo olhos pra você.E eu só pensava na saudade que eu tinha, na vontade que eu tinha de dizer: Sinto tanto a tua falta...sinto tanto a tua falta...Assim mesmo, como um mantra, que de tanto cantar atrai.E quem me vê exerga bem no fundo, ali, onde acaba o mundo e começa o sentido de existir, que eu só tenho olhos d'alma para te saber, sem sentir.
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles.
- 20:33 - 2
sutilezas
Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
- Quis descobrir de onde vinha essa minha vontade de nada, e consegui. É que estou farto de querer tanto e com tanta vontade e conseguir pouco, bem pouco, ou quase nada.Mas sabe...ainda assim, me dou o prazer de querer muito qualquer coisa, querer até sentir o que se quer no fundo d'alma. Essa vontade é um vinho bom de beber, de se embreagar até cair de sono.Sonhamos, podemos tudo, temos o que queremos... Duro é a ressaca do pós-sonho-bom no dia seguinte. O peito dói tanto que nem dá pra sentir a cabeça doer. E a dor se espalha feito tumor, carcomendo tudo, se espalha feito agouro na alma, até deixar cair doente, de enlouquecer doendo. Mas a vontade é assim, como vício. A última dose não mata.Dá sede.
- 23:19 - 3
sutilezas

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
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